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22.Ago - CRÔNICAS DA ARCA
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CRÔNICAS DA ARCA


“A brecha da providência” 


Muitas vezes, acontecia de fazermos o lanche da noite e irmos dormir sabendo que não teríamos o suficiente para o café da manhã. Então, colocávamos um bilhetinho do que precisávamos no sacrário. Saiamos para o grupo de oração à noite ou à missa da manhã e quando voltávamos, estava lá o nosso pedido. É que na porta da casa nos fundos, havia uma fenda, uma brecha. Quem nos conhecia, abria a casa por ali, deixando sua doação. Por isso, chamávamos de “a brecha da providência”.


 


“Numa pequena varanda da casa”


Outro meio que o Senhor nos inspirou foram os artesanatos, na confecção de bonecas que durante mais de um ano nos ajudou a pagar parte da compra do terreno. Um trabalho que exigia estarmos juntos em círculo numa pequena varanda da casa. Ali fluía a oração, a partilha, onde cada um se dava a conhecer comentando nossos sonhos e projetos, líamos a vida dos santos, a história da Igreja, etc.


Nesse tempo, já contávamos com a presença do Pe. Tarcísio que vinha celebrar e passava horas contando várias histórias e testemunhos que muito nos animava. Cremos que este foi o nosso primeiro noviciado, onde o próprio Senhor e Nossa Senhora foram mestres e guias.


 


“Ai que saudade da Mimosa!”


No começo, pelo fato da Comunidade ter se instalado numa pequena chácara, onde, nos arredores se levava uma vida num estilo mais rural, ganhamos de presente a “Mimosa”, uma vaca leiteira de porte pequeno, mas muito mansinha. Comia pouco e dava quase nenhum trabalho, a não ser, tirar os seus 4 litros de leite por dia. Um dia, passou pela cabeça de trocarmos a Mimosa por uma vaca maior que produzisse mais leite para, quem sabe, até pudéssemos comercializar algum produto.


Então, adquirimos uma vaca grande, que garantia dar 18 litros de leite por dia. Deixamos a Mimosa e mais algum dinheiro e voltamos para casa. Primeiro, ela não cabia no curral, segundo, nunca chegava a dar mais que 3 litros de leite. A ração era três vezes mais que a Mimosa, e, para tirar o leite, só com as pernas amarradas. Todos os dias fugia, indo para o quintal de alguém comer as plantações. Nem conseguíamos mais rezar direito de tanto incômodo que tivemos.


Em todo este episódio, até cômico, o Senhor nos ensinava a por Nele nossa esperança, não em bens materiais ou coisas grandes. Foi neste contexto que o Senhor nos formava numa atitude de pobreza e de total confiança (Nele), vivendo em tudo a Sua vontade.


 


“Presente do céu”


Um dia, queríamos celebrar o aniversário de uma irmã de comunidade, mas, fazia mais de uma semana que não tínhamos carne em casa. Como a ocasião era especial, até podíamos comprar, porém, recorremos ao sacrário, levando um bilhetinho. Para nossa surpresa, na sexta-feira de manhã, uma ave voava circundando nosso açude, numa altura um tanto desproporcional para tal espécie, quando de repente desceu até as águas. Corremos para ver. Era uma pata de tamanho adulta que mansamente veio ao nosso encontro, talvez pela fome ou coisa parecida, mas veio. Segundo se sabe, este tipo de ave só alça vôo alto na época que está muito magra. Esta, pelo contrário, estava gordinha, pronta para ir à panela. Para não corrermos os risco de mexer em coisa alheia, perguntamos aos moradores próximos, mas ninguém a identificou como sendo sua. Tal qual o Senhor enviou do alto as codornizes para saciar a fome do Povo, assim Ele nos tratou.


 


“As berinjelas”


Certo dia, preparamos um canteiro e plantamos berinjelas. Nunca tínhamos cultivado este tipo de legume, cuja duração produtiva é de, no máximo, dois meses. Mas neste caso, nossos pés de berinjela ultrapassaram em muito este tempo. Tornaram-se como que pequenos arbustos e cada vez produziam frutos maiores e em maior quantidade. Para o espanto e ao mesmo tempo alegria de todos, foi a única plantação que vigorava na horta. Comíamos berinjela até duas vezes por dia, ora na sopa, ora recheada, ou, com molho. E quando estávamos enjoando, traziam outra receita: frita, cozida, etc. Enfim, sobrevivemos quase seis meses com berinjela e até hoje, ela é muito apreciada por todos aqui. O costume passou de geração para geração.


 


“A graça supõe a natureza”


Viviamos da providência tal como até hoje, porém, acreditávamos, como Santo Agostinho, que a graça supõe a natureza, e que, a providência passa pelo nosso trabalho assíduo e honesto. Assim fazíamos diariamente, enquanto uns cuidavam da casa, outros se dedicavam à horta, e ao cuidado da vaca, tirando o leite para o sustento. E ninguém se dizia incapaz dessas coisas.


Era comum ver as próprias moças da Comunidade que antes eram secretárias, estudantes ou que trabalhavam em empresas, agora com balaios de capim nas costas. E assim, com o suor do rosto e com as próprias mãos, supria nossas necessidades e às vezes, repartíamos com os vizinhos, principalmente as verduras, que eram abundantes.


 


 



Fonte: Revista Comemorativa dos 20 anos da Comunidade Católica Arca da Aliança

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    Paulo Afonso

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