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Estados de Vida na Comunidade

Publicado por admin - 16 de janeiro de 2012 - Vocacional

Retiro Vocacional

As novas comunidades são uma nova forma de vida consagrada na Igreja, uma grande criatividade do Espírito que na medida das necessidades atuais suscita a cada tempo respostas acertadas. Isso se deu com as diversas congregações e movimentos e igualmente com as novas comunidades.

Muitas coisas nos distinguem da vida religiosa, mas creio que neste ponto, da definição dos estados de vida, ou seja , da possibilidade de vivermos uma consagração total de vida, não apenas no celibato é o que mais chama atenção, encantando e escandalizando as vezes.

Porém, para nós, reconhecemos essa densidade como graça essa mistura, que possibilita a homens e mulheres, casados e celibatários, ordenados ou não conviverem de maneira sadia partilhando suas vidas, cada um abraçando as cruzes e graças de seu estado.

E essa vivência conjunta, onde numa mesma realidade de missão podem viver os diferentes estados, ao contrário de despertar um no outro o desejo de viver outra coisa, fortalece a fidelidade de ambos para com sua própria escolha. Os filhos dos casais tornam-se sobrinhos e afilhados dos celibatários que têm sua vivência mais alegre e menos solitária, enquanto que a solidão dos celibatários impulsiona nossos casais a buscar a plenitude do amor em Deus que é a única fonte do amor perfeito e que pode saciar todas as nossas sedes.

Cada consagrado, desde cedo recebe de Deus e da comunidade uma total liberdade para escolher seu estado de vida, que constituirá a melhor forma de viver sua consagração no carisma. Daí surge nosso entendimento de que é preciso, antes mesmo de defini-lo, dar-se em cada um a identificação com o carisma da comunidade, pois o estado definido consiste mais um grande recurso para a melhor vivência dessa vocação particular.

Não existe tempo para trabalhar essa questão no vocacionado, desde o início, com liberdade, pode-se partilhar o assunto, sendo que o tempo propício para a definição se dá após o período de formação inicial, onde se entende que o candidato já tenha feito sua escolha pelo carisma. Após esse período, cada pessoa tem seu tempo, independente de idade ou anos de comunidade.

Essa escolha é particular, porém à medida que é manifestada é imediatamente acompanhada pela comunidade sob o olhar do formador pessoal, e também com formações específicas para o estado afim, que periodicamente irão se encontrar partilhando sua vivência.

Algo que para nós tem sido muito rico é o tempo que antecede a definição, que chamamos “caminho”, tanto para o namoro quanto para o celibato. Um tempo favorável na vida de ambos, para rezar mais, passar pelas crises e questionamentos comuns, e aí sim definir.

Para os que almejam o namoro, dá-se antes um tempo de amizade profunda, de partilhar um para o outro sua história pessoal, inclusive os relacionamentos anteriores, um tempo que se define a partir de cada casal. Sendo que, após este período, os mesmos é que pedem à comunidade a possibilidade de iniciar o namoro, podendo por vezes, ou ser separados de casa, exercitando o que muito fala nossa co-fundadora: “a intimidade é que gera proximidade e não o contrário”.

Para o celibatário não é diferente, um tempo de cura, confrontamento com a história pessoal, questionamento das motivações de sua opção, e até a possibilidade de no meio do caminho mudar de opinião. Acompanhado por seu formador ele mesmo vai traçando seu caminho, e determinando com sua vivência, sua caminhada o que diz respeito ao tempo.

A opção pelo estado de vida para nós se dá de forma distinta da definição pelo carisma. Esta escolha pode se dar antes ou depois dos votos definitivos, justamente pelo caráter peculiarmente pessoal da escolha. Tanto que quando fazemos os votos definitivos reunimos um grupo para este momento, enquanto que para o celibato e o casamento, a cerimônia realiza-se individualmente inclusive a pessoa, com o consentimento da comunidade, tem a oportunidade de escolher sua data.

Os casais na comunidade moram sempre em casas bem próximas da comunidade para que vivam o que é próprio da vocação ao matrimônio, mas também não se afastem da vivência comunitária, no que diz respeito à formação, vida de oração, apostolado e vida fraterna.

Os celibatários vivem em meio a todas as realidades, inseridos numa casa onde moram irmãos em definição, ou até mesmo decididos por viver o matrimônio. Vivendo seu específico, fortalecem a vivência comunitária. Nossos celibatários não utilizam o hábito, comum à vida religiosa, se vestem normalmente, preservando como todos da comunidade a moral cristã, e a modéstia.

Aos jovens que se atraírem pela vida presbiteral, e aos casados pelo desejo do diaconato, existe a possibilidade de viverem sua vocação específica dentro da comunidade, como irmãos entre os irmãos, distinguindo-se pelo Sacramento da Ordem e sendo, sem dúvida,  um grande bem na vida de nossas comunidades, e para a vivência dos estados que buscam diariamente o sustento para a fidelidade, na Eucaristia.

Como bem diz nossa regra de vida, acolhemos cada estado como dons preciosos do Espírito de Deus, diversos, mas necessários, uns aos outros. A beleza e alegria que cada consagrado expressa ao se definir são o grande exemplo e referência para os que chegam poderem definir-se igualmente. Muitos chegam condicionados nessa escolha, por fatores da história, mas com o amadurecer do tempo acabam escolhendo o que nunca imaginaram.

Comigo aconteceu assim, nunca havia me sentido atraída à vida celibatária, e quando cheguei na comunidade, ao ver a alegria e realização dos que viviam este estado, percebi que era chamada a abraçar ainda na minha juventude tal vocação que vem sendo uma força a mais na minha vivência do carisma.

Cristiane Liberato – Consagrada Arca da Aliança

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Comentários

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  1. SIRLENE CORRÊA says: fevereiro 1, 2012

    Ficou lindo essa pagina ao ler e ver tudo fiquei muito encantada com esse carisma que todos nós sabemos ser belo e santo e que outros tambem precisam fazer a mesma experiencia que um dia fizemos.
    Parabéns a todos que contribuiram.

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