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31.Mar - Isolamento Social: o que podemos aprender com os monges
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Isolamento Social: o que podemos aprender com os monges


Isolamento social, o que podemos aprender com os monges?


 


Há alguns meses indo ao mosteiro trapista em Campo do Tenente no Paraná, conversando com o abade do mosteiro, Dom Bernardo sobre a vida contemplativa, perguntava a ele sobre o critério, a opção do mosteiro de ser um lugar separado, sobre a necessidade da vida contemplativa se desenvolver num lugar a parte. Ele me dizia que sim, a separação do mundo se faz um critério essencial dessa vida. É claro que essa realidade não é possível em sua totalidade a todas as pessoas, mas pode em parte ser experimentada por todos.


E nesses dias fomos surpreendidos pela obrigação de um isolamento. Não o escolhemos, mas agora que estamos nele, precisamos como cristãos, colher frutos desse processo. Em oração, me pareceu que a experiência monástica poderia me ensinar e ajudar a muitos a fazer desse momento uma oportunidade de crescimento.


O mesmo abade que citei acima escreve sobre esse tema no livro Buscando verdadeiramente a Deus. Diz-nos a respeito dos primeiros padres que “possuíam uma intuição misteriosa de que o deserto seria frutífero para eles”. Destaco a palavra frutífero. Como estamos vendo o chamado isolamento ou deserto, dos tempos de hoje? Tédio, tristeza, tragédia, ou oportunidade para crescer?  O mesmo autor completa a frase, dizendo que para eles o deserto era oportunidade de desabrochar espiritualmente, e que eles por sua vez, fariam o deserto desabrochar.


O que precisa desabrochar em nossa casa? O que precisa desabrochar em nossas relações? Em nossa missão específica? Não seria momento oportuno para permitir esse florescimento? Nesse tempo favorável como tanto os recorda a Palavra de Deus nessa quaresma.


É claro que o deserto monástico, é preenchido por uma rotina, que tem por finalidade manter Deus no centro da vida, e dar equilíbrio ao homem. Essa rotina pode também iluminar muito nossos dias. A vida do monge é uma saudável alternância entre silêncio, oração, Liturgia das horas (sete paradas ao longo do dia para a oração dos salmos), trabalho, vida comunitária, descanso e ascese. Eu diria que em dias como esses, seja para a vida pessoal ou familiar, é necessário estabelecer uma rotina equilibrada para tornar frutífera a parada. Tudo isso se dá também em ambientes distintos que o monge frequenta ao longo do dia. Destaco a sela, a capela e o refeitório. E esses ambientes estão presentes também em nossa casa.


 A sela é o quarto, lugar da intimidade, do silêncio, descanso, do recolhimento, porque a solidão não se faz necessária só na vida monástica, toda pessoa necessita de espaço, onde se reconhece como pessoa, como filho de Deus em sua individualidade. A descoberta de Agostinho parece ser aqui uma chave de leitura: “te procurava fora, mas estavas dentro de mim”.


A capela é o espaço reservado ao culto  comunitário. Nossa casa é casa de oração? Existem símbolos que sinalizam essa realidade de fé presente em nossos ambientes? Existe espaço de tempo reservado a oração comum? Terços, via sacra, a Bíblia, leitura da vida dos santos? Uma casa que não reserva espaço para essa realidade acaba por banalizar o encontro comunitário, que familiarizado em excesso perde o valor da intimidade. O cardeal Robert Sarah, quando se refere ao espaço sagrado, destaca que toda familiaridade é inimiga da intimidade.


E por fim, chegamos ao refeitório, a mesa. A mesa é o espaço da comunhão. Na comunhão, na espontaneidade da mesa, conhecemos a história de nossas famílias, rimos, choramos, partilhamos desafios e vitórias do dia. Ali podemos literalmente voltar pra casa, e nos sentir livres para expressar o que de fato somos, livrando-nos dos papéis que precisamos socialmente desempenhar e que tantas vezes nos pesam nos ombros.


A alternância desses espaços e momentos torna sadio o mosteiro, faz desse ambiente o ambiente da paz. Quando estamos nesses lugares nos sentimos diante de uma fonte, onde saciamos uma sede, que nem sabemos muitas vezes que temos. A paz que sentimos é fruto da busca por esse equilíbrio, da disciplina. Colhemos frutos da vida virtuosa que se busca nesses lugares.


Penso que boa parte disso pode ser reproduzido no mundo de hoje. A graça de Deus já temos, agora resta-nos o trabalho, o esforço para tornar nosso deserto frutífero, e florir nosso isolamento.


 


Cristiane Liberato


Missionária Consagrada Arca da Aliança


Missão Balneário Barra do Sul/SC


 


* Foto ilustrativa: fotojog by Getty imagens



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