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“Toma e lê”: o encontro que mudou tudo

Encontrar-se só. Junto a uma figueira, chora copiosas lágrimas de arrependimento, quando escuta uma canção vinda de uma criança: “Toma e lê, toma e lê!” Agostinho entende ser uma ordem divina para abrir o livro sagrado e ler as primeiras palavras que encontrasse. Toma o livro em suas mãos e lê, lembrando-se da voz que dizia: “Toma e lê”

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28.08.2025 - 09:15:00 | 3 minutos de leitura

“Toma e lê”: o encontro que mudou tudo

Agostinho era um homem que tinha apreço pelas palavras. Amava ouvir discursos recheados de filosofia, cujo próprio termo, em sua etimologia, já significa “amor à sabedoria”. Desde jovem, era estudioso, e sua realização voltava-se para elaborar e ouvir discursos com bons argumentos e entusiasmo. Em contrapartida, sua criticidade era tamanha a ponto de endurecer-lhe a alma para a fé. Diante dessa dificuldade, sua alma carecia de alimento espiritual, o qual ele tentava suprir em amizades e relacionamentos.

Ansiava por algo a mais; entretanto, deparava-se com o limite de sua condição humana. Os caminhos que havia trilhado, em vez de dar sentido à sua vida, apenas a esvaziaram. Tudo o que tinha vivenciado em seus trinta anos não lhe bastava. Faltava algo! Agostinho entra em uma crise existencial ou algo muito próximo disso. Precisava descobrir, ou redescobrir, quem era e quais eram suas aspirações mais profundas, aquelas que dessem sentido ao que sua “alma” o convidava a viver. Neste caminho de busca, vários acontecimentos, como a morte de seu filho, o encontro com amigos e com um grande orador, o Bispo Ambrósio foram preparando a terra de sua alma, revolvendo coisas antigas para que a semente fosse lançada. Na noite escura de sua alma, ele se depara com o silêncio, a solidão e a fragilidade.

Até que chega o momento em que contempla sua miséria e seu coração, suplicando ao Senhor que dê fim à inquietação de sua alma. É então impelido pela consciência a um profundo reconhecimento de sua indignidade. Sente ser necessário afastar-se do amigo. Encontrar-se só. Junto a uma figueira, chora copiosas lágrimas de arrependimento, quando escuta uma canção vinda de uma criança: “Toma e lê, toma e lê!” Agostinho entende ser uma ordem divina para abrir o livro sagrado e ler as primeiras palavras que encontrasse. Toma o livro em suas mãos e lê, lembrando-se da voz que dizia: “Toma e lê”

“Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne.” (Rm 13,13s)

Agostinho faz uma viagem em sua própria alma. É tocado pela Palavra! Encontra sua verdade! Reconhece suas qualidades e limitações. Percebe que há uma grandiosidade, um mistério que não consegue abarcar. Descobre-se filho bem-amado de Deus. Aceita o chamado à vida em plenitude! Deus o chama a viver um propósito com toda a inteireza de seu ser. Agostinho nos ensina que o caminho se faz com os pés no chão e com o coração abrasado pela Palavra. Sua vida foi fecundada pela Palavra, que encontrou terra boa para germinar. Talvez, em seu caso, a crise existencial tenha o ajudado a olhar para dentro de si e a reconhecer em sua história os traços e a presença de Deus. Talvez você, que está lendo, também consiga, neste momento, olhar para sua trajetória e perceber a mão de Deus nos instantes em que pensou estar sozinho(a). Mas, com certeza, Ele estava contigo!

Agostinho procurava fora, em tantos lugares e pessoas, motivos para se sentir realizado e feliz. Mas o que ele realmente buscava era Deus. Como estava tão distante de si mesmo, precisou, primeiro, encontrar-se; e, reconhecendo-se, pôde então olhar e escutar o próprio Senhor.

Mikaela Tavares - Consagrada Arca da Aliança

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