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A Amizade: Um tesouro que transforma e nos une a Deus

Feliz é aquele que te ama, Senhor, e ama o amigo em Ti.

Santo Agostinho

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20.07.2023 - 12:00:00 | 4 minutos de leitura

A Amizade: Um tesouro que transforma e nos une a Deus

Celebramos hoje o dia do amigo, impossível nesta data diante de tantas mensagens nas redes sociais, não recordarmos de forma espontânea e alegre a presença daqueles que marcam nossa vida, ocupando este espaço em nós.


Toda pessoa clama por relação, nossa identidade se fortalece quando temos a oportunidade de desenvolver nossos afetos. Não é difícil percebermos essa realidade quando ouvimos as crianças perguntando: quer ser meu amigo?  Essa mesma pergunta, ou podemos dizer este mesmo desejo perpassa todas as fases da vida, a diferença é que não temos mais a necessidade de fazer a pergunta, até porque descobrimos outros meios e valores maiores que nos levam a descobrir e a viver as amizades.


A amizade é uma experiência tão vital e tão profunda no homem, que não importando sua classe, religião, idade, nacionalidade, ela se manifesta como uma experiência importante para a realização pessoal. É o que vemos desde a antiguidade, tão bem discutida na filosofia grega, nos poetas que cruzaram os séculos, bem como na vida dos santos, pois para o cristianismo ela não é uma teoria mas uma experiência real, já que a experiência de fé se revela em toda realidade humana. A encontramos com facilidade nas sagradas escrituras, no Antigo Testamento e com beleza e verdade nos atos de Jesus, que se fez carne, viveu a vida humana e nela experimentou a riqueza que é ter amigos. “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro.” (Eclo 6,14)


O Evangelho de São João no capítulo 11 narra com grande verdade o sentimento de Jesus para com seus amigos: “Ora, Jesus amava Marta, sua irmã e Lázaro.” Eles não foram os únicos que gozaram da companhia e da amizade com o Mestre, mas a passagem por Betânia tinha sempre um grande valor, era a casa dos amigos, da acolhida. Jesus, o Messias, ali experimentou a ternura, o cuidado dos pés ungidos com perfume de nardo puro, enxugados com os cabelos de Maria. A narração diz que a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo, há quem diga que a amizade comporta exageros.


Santo Agostinho, um grande filósofo intelectual do século IV, foi um homem de alma sedenta por relações e amizades. Em seu livro “Confissões” encontramos alguns relatos. Um dos mais comoventes é a morte de seu amigo Nebrídio, onde em meio ao grande sofrimento por ter perdido aquele que tanto amava e por considerá-lo metade de sua alma, sentia-se partido.


Essa experiência de Agostinho aconteceu antes de sua conversão, na medida em que viveu seu encontro com Deus, descobriu uma nova forma de amizade: “Bem-aventurado o que te ama, Senhor, e ama ao amigo em ti, e ao inimigo por amor a ti; só não perde o amigo quem tem a todos por amigos naquele que nunca se perde.” O homem sedento de relação traz em sua alma uma sede infinita de Deus, e este saciar-se acontece também em uma relação de amizade. Voltando à experiência dos discípulos de Jesus no evangelho podemos contemplar com clareza o quanto estes homens e mulheres foram envolvidos por uma relação profunda com o Senhor. “Não vos chamo servos... mas vos chamo amigos...” (Jo 15,15).


A relação de amizade com Deus fez Santo Agostinho enxergar as relações humanas de uma forma nova. A Amizade alcançou em sua vida aquilo que o puro amor desinteressado verdadeiramente opera na alma humana. Já não era o amor egoísta e fechado, como viveu com Nebrídio, que ao perdê-lo sua vida perdeu o significado, mas o amor livre que cura nossas feridas e nos ensina de forma simples e discreta o significado do amor.


Olhando a experiência de Santo Agostinho percebemos que não é difícil também perdemos o sentido do viver e amar, pois em meio às frustrações, traições, muitas vezes não acreditamos mais no valor dos amigos, ou melhor, de ser possível ter uma amizade verdadeira. O testemunho deste santo e de tantos outros nos prova o contrário, podemos e temos necessidade de relações profundas e duradouras, podemos e devemos sentir falta de nossos amigos, podemos e temos necessidade da ternura e do apoio dos amigos, somos necessitados do amor livre e desinteressado, mas essa experiência será sempre mais real, feliz e duradoura, quando os amigos estiverem unidos a Deus.

Daniele Caroline

Consagrada Missionária Arca da Aliança

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