Chamados a permanecer: vocação e fidelidade no dia a dia
Deus me chamou para uma vocação linda. E posso dizer, com toda a certeza, que, quando Ele chama, não olha apenas para nossas forças. Ele conhece também nossas misérias, nossas lutas, nossas fragilidades. E, de tudo isso, Ele nos ensina a tirar aprendizado e graça.
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26.01.2026 - 16:50:00 | 3 minutos de leitura

Lembro como se fosse hoje quando cheguei à comunidade.No primeiro momento, meu coração era um misto de tudo: entusiasmo, medo, alegria… Mas, mesmo sem entender completamente, lá no fundo eu me senti em casa. Algo em mim sabia: é aqui.Eu sempre fui muito tímida, insegura, medrosa e, confesso, tinha dificuldade em ser perseverante. Mas, apesar de tudo isso, eu não deixava que nada me parasse. Havia uma certeza muito clara no meu coração: eu precisava estar aqui. Não porque eu me sentisse capaz, mas porque fui chamada.Com o tempo, percebi que os maiores desafios para permanecer não seriam os compromissos assumidos, nem a missão em si, mas eu mesma. Eu sempre fui, e ainda sou, o meu maior obstáculo. Foi no acompanhamento da comunidade e na vida de oração que comecei a me conhecer de verdade, a lidar com meu temperamento e, sobretudo, a aprender algo essencial: para continuar caminhando, meus olhos precisam estar sempre fixos em Jesus.É Ele quem me encoraja todos os dias, especialmente quando a “Elaine velha” bate à porta, junto com minhas misérias que ainda precisam ser transformadas. Nessas horas, eu escuto Jesus me chamar novamente e dizer: “Continue. Olhe para mim.”Também vivi meus desertos. Momentos de dificuldade, de silêncio, de cansaço interior. E, nesses períodos, uma frase ecoava forte dentro de mim: “Elaine, você sabe onde precisa estar.”Deus me chamou para uma vocação linda. E posso dizer, com toda a certeza, que, quando Ele chama, não olha apenas para nossas forças. Ele conhece também nossas misérias, nossas lutas, nossas fragilidades. E, de tudo isso, Ele nos ensina a tirar aprendizado e graça.Muitas vezes me senti desprovida de dons, insegura, achando que não tinha o que oferecer à comunidade. Já chorei. Já tive vontade de ir embora. Já pensei que não daria conta de ser aquilo que a comunidade precisava que eu fosse. Mas, mesmo assim, Deus nunca me abandonou.Hoje, mais madura, já não caminho sozinha. Caminho com minha família, vivendo esse carisma. Aprendi que ter um coração indiviso é desejar, em tudo, estar unida ao coração de Jesus: em casa, na comunidade, na missão, no trabalho. Onde eu estiver, meu coração busca permanecer unido ao d’Ele.O que me mantém fiel ao chamado é a vida de oração, a vida fraterna e a vida missionária, que também me ajudam a sair de mim mesma e a permanecer. Minha palavra vocacional é:“Avança para águas mais profundas...” (Lc 5)Encerro dizendo: talvez você que esteja lendo este texto esteja passando por um tempo de deserto. Eu te digo com todo o coração: levante os olhos e olhe para Jesus. O olhar de Jesus na cruz sempre me ajuda a prosseguir e a permanecer.Eu permaneço porque quem me chamou continua a chamar o meu nome.E isso basta.
Elaine Izauro - Consagrada Arca da Aliança
Lembro como se fosse hoje quando cheguei à comunidade.
No primeiro momento, meu coração era um misto de tudo: entusiasmo, medo, alegria… Mas, mesmo sem entender completamente, lá no fundo eu me senti em casa. Algo em mim sabia: é aqui.
Eu sempre fui muito tímida, insegura, medrosa e, confesso, tinha dificuldade em ser perseverante. Mas, apesar de tudo isso, eu não deixava que nada me parasse. Havia uma certeza muito clara no meu coração: eu precisava estar aqui. Não porque eu me sentisse capaz, mas porque fui chamada.
Com o tempo, percebi que os maiores desafios para permanecer não seriam os compromissos assumidos, nem a missão em si, mas eu mesma. Eu sempre fui, e ainda sou, o meu maior obstáculo. Foi no acompanhamento da comunidade e na vida de oração que comecei a me conhecer de verdade, a lidar com meu temperamento e, sobretudo, a aprender algo essencial: para continuar caminhando, meus olhos precisam estar sempre fixos em Jesus.
É Ele quem me encoraja todos os dias, especialmente quando a “Elaine velha” bate à porta, junto com minhas misérias que ainda precisam ser transformadas. Nessas horas, eu escuto Jesus me chamar novamente e dizer: “Continue. Olhe para mim.”
Também vivi meus desertos. Momentos de dificuldade, de silêncio, de cansaço interior. E, nesses períodos, uma frase ecoava forte dentro de mim: “Elaine, você sabe onde precisa estar.”
Deus me chamou para uma vocação linda. E posso dizer, com toda a certeza, que, quando Ele chama, não olha apenas para nossas forças. Ele conhece também nossas misérias, nossas lutas, nossas fragilidades. E, de tudo isso, Ele nos ensina a tirar aprendizado e graça.
Muitas vezes me senti desprovida de dons, insegura, achando que não tinha o que oferecer à comunidade. Já chorei. Já tive vontade de ir embora. Já pensei que não daria conta de ser aquilo que a comunidade precisava que eu fosse. Mas, mesmo assim, Deus nunca me abandonou.
Hoje, mais madura, já não caminho sozinha. Caminho com minha família, vivendo esse carisma. Aprendi que ter um coração indiviso é desejar, em tudo, estar unida ao coração de Jesus: em casa, na comunidade, na missão, no trabalho. Onde eu estiver, meu coração busca permanecer unido ao d’Ele.
O que me mantém fiel ao chamado é a vida de oração, a vida fraterna e a vida missionária, que também me ajudam a sair de mim mesma e a permanecer. Minha palavra vocacional é:
“Avança para águas mais profundas...” (Lc 5)
Encerro dizendo: talvez você que esteja lendo este texto esteja passando por um tempo de deserto. Eu te digo com todo o coração: levante os olhos e olhe para Jesus. O olhar de Jesus na cruz sempre me ajuda a prosseguir e a permanecer.
Eu permaneço porque quem me chamou continua a chamar o meu nome.
E isso basta.
Elaine Izauro - Consagrada Arca da Aliança
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