Do coração de Jesus brota a Divina Misericórdia
Nestes dias, somos chamados a contemplar a Divina Misericórdia, ou simplesmente a misericórdia de Deus. O evangelista narra uma cena profundamente rica e simbólica: o Filho de Deus, o Verbo encarnado, está preso ao madeiro da cruz. Um soldado transpassa o seu lado, e do seu coração jorram sangue e água (Jo 19,34).
É Deus que se deixa consumir por amor. E, se pudéssemos dar um nome à última gota derramada por Cristo, certamente a chamaríamos de misericórdia. Porque é justamente do coração de Jesus que brota a misericórdia divina.
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12.04.2026 - 07:00:00 | 4 minutos de leitura

Nestes dias, somos chamados a contemplar a Divina Misericórdia, ou simplesmente a misericórdia de Deus. O evangelista narra uma cena profundamente rica e simbólica: o Filho de Deus, o Verbo encarnado, está preso ao madeiro da cruz. Um soldado transpassa o seu lado, e do seu coração jorram sangue e água (Jo 19,34). É Deus que se deixa consumir por amor. E, se pudéssemos dar um nome à última gota derramada por Cristo, certamente a chamaríamos de misericórdia. Porque é justamente do coração de Jesus que brota a misericórdia divina. Misericórdia é a capacidade de Deus de se compadecer da miséria humana. É um Deus que não apenas vê o sofrimento, mas que se envolve com ele; que sofre com a dor do outro; que se inclina sobre a fragilidade humana. Diante de um homem que nada pode fazer por si mesmo, Deus intervém com um ato profundo de amor, oferecendo o seu próprio Filho (Rm 5,8). A misericórdia é, de fato, o novo nome de Deus (Ef 2,4). E essa misericórdia tem um rosto: é o próprio Cristo.Do lado aberto de Jesus, transpassado pela lança, jorram sangue e água. O sangue que redime, que perdoa os pecados, que purifica o homem de todo mal (1Jo 1,7); sangue que é penhor de salvação e de reparação. E a água da graça, que sacia toda sede, que lava, que gera vida nova (Jo 4,14); a água do Batismo, que nos faz nascer de novo (Jo 3,5). Esses dois elementos são profundamente simbólicos e, para nós, Igreja, apontam para os sacramentos: o Batismo e a Eucaristia. Do lado aberto de Cristo nasce a Igreja, com a riqueza dos seus sacramentos, como fonte permanente de graça para os homens de todos os tempos. Quando Jesus conta a parábola do bom samaritano, Ele nos ensina a lógica da misericórdia: “um samaritano... aproximou-se, tratou-lhe as feridas... e levou-o a uma hospedaria, onde cuidou dele” (Lc 10,33-34). Do lado aberto de Cristo nasce essa “hospedaria”, que é a Igreja — lugar onde a misericórdia divina se torna concreta por meio dos sacramentos, cuidando, restaurando e curando as feridas da humanidade.Tudo isso brota do coração de Jesus — um coração manso e humilde (Mt 11,29), capaz de verdadeira compaixão. E não se trata de uma compaixão superficial, apenas de palavras ou sentimentos passageiros. É uma compaixão que se derrama, que se entrega, que se transforma em misericórdia viva. Por isso, nestes dias, mais do que apenas contemplarmos a cena da cruz — o Cristo crucificado e transpassado — somos chamados a dar um passo além: mergulhar nesse coração aberto e nos deixar envolver por essa misericórdia. Porque não basta apenas sermos tocados por ela. Somos também chamados a nos tornarmos misericordiosos. No entanto, só pode exercer a misericórdia quem fez a experiência de ser alcançado por ela; quem reconhece, com humildade, a própria condição de pecador e percebe que não é digno, mas, mesmo assim, foi amado (Rm 5,10).Agora, somos convidados a ir e fazer o mesmo: “vai e faze tu a mesma coisa” (Lc 10,37). Celebrar a Festa da Misericórdia não é apenas olhar para um quadro, contemplar uma imagem ou admirar uma cena. É entrar na festa preparada pelo Pai para o filho que voltou (Lc 15,24). Somos nós esse filho: perdidos e reencontrados pela Divina Misericórdia. E mais: somos convidados a levar outros conosco. A não deixar ninguém de fora. Porque a misericórdia de Deus é para todos (1Tm 2,4). Não importa o tamanho do pecado — por maior que seja, infinitamente maior é a misericórdia divina. Assim, do coração de Jesus jorra a misericórdia de Deus: uma misericórdia que nos alcança, que nos transforma e que faz de homens e mulheres, marcados pelo pecado, verdadeiros troféus da Divina Misericórdia.
Diácono Sandro Quintino – Consagrado Arca da Aliança
Nestes dias, somos chamados a contemplar a Divina Misericórdia, ou simplesmente a misericórdia de Deus. O evangelista narra uma cena profundamente rica e simbólica: o Filho de Deus, o Verbo encarnado, está preso ao madeiro da cruz. Um soldado transpassa o seu lado, e do seu coração jorram sangue e água (Jo 19,34). É Deus que se deixa consumir por amor. E, se pudéssemos dar um nome à última gota derramada por Cristo, certamente a chamaríamos de misericórdia. Porque é justamente do coração de Jesus que brota a misericórdia divina. Misericórdia é a capacidade de Deus de se compadecer da miséria humana. É um Deus que não apenas vê o sofrimento, mas que se envolve com ele; que sofre com a dor do outro; que se inclina sobre a fragilidade humana. Diante de um homem que nada pode fazer por si mesmo, Deus intervém com um ato profundo de amor, oferecendo o seu próprio Filho (Rm 5,8). A misericórdia é, de fato, o novo nome de Deus (Ef 2,4). E essa misericórdia tem um rosto: é o próprio Cristo.
Do lado aberto de Jesus, transpassado pela lança, jorram sangue e água. O sangue que redime, que perdoa os pecados, que purifica o homem de todo mal (1Jo 1,7); sangue que é penhor de salvação e de reparação. E a água da graça, que sacia toda sede, que lava, que gera vida nova (Jo 4,14); a água do Batismo, que nos faz nascer de novo (Jo 3,5). Esses dois elementos são profundamente simbólicos e, para nós, Igreja, apontam para os sacramentos: o Batismo e a Eucaristia. Do lado aberto de Cristo nasce a Igreja, com a riqueza dos seus sacramentos, como fonte permanente de graça para os homens de todos os tempos. Quando Jesus conta a parábola do bom samaritano, Ele nos ensina a lógica da misericórdia: “um samaritano... aproximou-se, tratou-lhe as feridas... e levou-o a uma hospedaria, onde cuidou dele” (Lc 10,33-34). Do lado aberto de Cristo nasce essa “hospedaria”, que é a Igreja — lugar onde a misericórdia divina se torna concreta por meio dos sacramentos, cuidando, restaurando e curando as feridas da humanidade.
Tudo isso brota do coração de Jesus — um coração manso e humilde (Mt 11,29), capaz de verdadeira compaixão. E não se trata de uma compaixão superficial, apenas de palavras ou sentimentos passageiros. É uma compaixão que se derrama, que se entrega, que se transforma em misericórdia viva. Por isso, nestes dias, mais do que apenas contemplarmos a cena da cruz — o Cristo crucificado e transpassado — somos chamados a dar um passo além: mergulhar nesse coração aberto e nos deixar envolver por essa misericórdia. Porque não basta apenas sermos tocados por ela. Somos também chamados a nos tornarmos misericordiosos. No entanto, só pode exercer a misericórdia quem fez a experiência de ser alcançado por ela; quem reconhece, com humildade, a própria condição de pecador e percebe que não é digno, mas, mesmo assim, foi amado (Rm 5,10).
Agora, somos convidados a ir e fazer o mesmo: “vai e faze tu a mesma coisa” (Lc 10,37). Celebrar a Festa da Misericórdia não é apenas olhar para um quadro, contemplar uma imagem ou admirar uma cena. É entrar na festa preparada pelo Pai para o filho que voltou (Lc 15,24). Somos nós esse filho: perdidos e reencontrados pela Divina Misericórdia. E mais: somos convidados a levar outros conosco. A não deixar ninguém de fora. Porque a misericórdia de Deus é para todos (1Tm 2,4). Não importa o tamanho do pecado — por maior que seja, infinitamente maior é a misericórdia divina. Assim, do coração de Jesus jorra a misericórdia de Deus: uma misericórdia que nos alcança, que nos transforma e que faz de homens e mulheres, marcados pelo pecado, verdadeiros troféus da Divina Misericórdia.
Diácono Sandro Quintino – Consagrado Arca da Aliança
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