No silêncio do Conclave
Hoje, os cardeais iniciam o Conclave: as portas são fechadas, nossos olhares se voltam — mais do que isso, nossos corações se voltam — para a Cidade Eterna. Há silêncio.
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07.05.2025 - 08:00:00 | 4 minutos de leitura

No Silêncio do Conclave
Hoje, 7 de maio, fazemos memória do Dia do Silêncio; também neste dia, inicia-se o Conclave em Roma.
Gosto de pensar nas providências de Deus, nos Seus movimentos, nas Suas artes. Ele sempre se faz Presença. Faz 17 dias que o Papa faleceu. O mundo inteiro voltou seu olhar para a cidade de Roma — um local pequeno diante da grandeza do mundo e, ao mesmo tempo, tão grande pelo que representa, não somente para nós, católicos, mas para toda a humanidade.
Esses dias foram um paradoxo de silêncio, oração e oferta a Deus pela alma do Papa Francisco. Silêncio no sentido de nos sentirmos órfãos, ainda que por um breve momento. Mas também houve barulho, sim: barulho nas homenagens e nos murmúrios sobre aquilo que o Papa foi, nas polêmicas e opiniões — não somente no mundo católico, mas em toda a mídia mundial. Houve barulho nas apostas sobre quem será o novo Papa, quais os preferidos, quem pode votar. Há barulho para opinar, desejar, especular e até influenciar.
Hoje, os cardeais iniciam o Conclave: as portas são fechadas, nossos olhares se voltam — mais do que isso, nossos corações se voltam — para a Cidade Eterna. Há silêncio.
Talvez o Conclave seja rápido e, no momento em que você estiver lendo esse conteúdo, já tenhamos um novo nome. Talvez demore alguns dias.
A Barca de Pedro no Meio da Tempestade
Penso na cena da barca agitada — a barca de Pedro — em meio ao mar revolto: quanto barulho, trovões, raios, ondas fortes! E Jesus está dormindo... é o que parece.Nossos corações estão agitados, preocupados, ansiosos, e nos resta gritar, como os discípulos: "Senhor, salva-nos! Estamos perecendo!" (cf. Mateus 8,25). Ah, Jesus... E Tu nos repreendes, como fizeste aos Teus discípulos: "Por que estais com tanto medo, homens de pouca fé?" (cf. Mateus 8,26). E ainda nos dizes: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (cf. Mateus 16,18).
Então, por que eu e você não confiamos? Por que nos desesperamos? Ele nos convida a fazer silêncio — não um silêncio parado, morno e preguiçoso, mas um silêncio atuante, como o de São José, que silenciou diante do comando de Deus, aceitou Sua vontade e obedeceu às Suas instruções. Um silêncio atuante, como o de Maria, que intercala a fala com o recolhimento e se encerra no seu Fiat: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra." (cf. Lucas 1,38), no movimento silencioso e humilde do servir.
Silenciar para confiar
Eu e você somos convidados, no silêncio deste dia, neste tempo de incerteza, a nos colocarmos com humildade na presença d’Ele, confiando que tudo ocorre para o bem daqueles que amam a Deus:"Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam." (cf. Romanos 8,28). Unamo-nos a todos os católicos do mundo inteiro, em oração e oferta pelo nosso futuro Papa. Peçamos a graça de, no silêncio, confiar na providência de Deus em nossas vidas — seja nos grandes feitos, como uma eleição papal, seja nos pequenos movimentos do cotidiano. Aprendamos, no silêncio, a contemplar a Sua ação, que nos fala, nos conduz e também nos exorta. Quando Ele silencia — quando “cochila” — está nos ensinando a ter fé, a confiar. Ele está no barco — seja no barco da minha vida, seja na grande barca que é a Sua Igreja.
Oração
Senhor, silencia meus medos, minhas ansiedades. Peço-Te, neste dia, que os barulhos externos não me impeçam de ouvir Tua voz e de confiar que sempre estarás comigo. Dá-me a graça de confiar em Ti e aumenta a minha fé, pela intercessão da Virgem do Silêncio. Amém.
Bianca Baumgart - Consagrada Arca da Aliança
No Silêncio do Conclave
Hoje, 7 de maio, fazemos memória do Dia do Silêncio; também neste dia, inicia-se o Conclave em Roma.
Gosto de pensar nas providências de Deus, nos Seus movimentos, nas Suas artes. Ele sempre se faz Presença. Faz 17 dias que o Papa faleceu. O mundo inteiro voltou seu olhar para a cidade de Roma — um local pequeno diante da grandeza do mundo e, ao mesmo tempo, tão grande pelo que representa, não somente para nós, católicos, mas para toda a humanidade.
Esses dias foram um paradoxo de silêncio, oração e oferta a Deus pela alma do Papa Francisco. Silêncio no sentido de nos sentirmos órfãos, ainda que por um breve momento. Mas também houve barulho, sim: barulho nas homenagens e nos murmúrios sobre aquilo que o Papa foi, nas polêmicas e opiniões — não somente no mundo católico, mas em toda a mídia mundial. Houve barulho nas apostas sobre quem será o novo Papa, quais os preferidos, quem pode votar. Há barulho para opinar, desejar, especular e até influenciar.
Hoje, os cardeais iniciam o Conclave: as portas são fechadas, nossos olhares se voltam — mais do que isso, nossos corações se voltam — para a Cidade Eterna. Há silêncio.
Talvez o Conclave seja rápido e, no momento em que você estiver lendo esse conteúdo, já tenhamos um novo nome. Talvez demore alguns dias.
A Barca de Pedro no Meio da Tempestade
Penso na cena da barca agitada — a barca de Pedro — em meio ao mar revolto: quanto barulho, trovões, raios, ondas fortes! E Jesus está dormindo... é o que parece.
Nossos corações estão agitados, preocupados, ansiosos, e nos resta gritar, como os discípulos: "Senhor, salva-nos! Estamos perecendo!" (cf. Mateus 8,25). Ah, Jesus... E Tu nos repreendes, como fizeste aos Teus discípulos: "Por que estais com tanto medo, homens de pouca fé?" (cf. Mateus 8,26). E ainda nos dizes: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (cf. Mateus 16,18).
Então, por que eu e você não confiamos? Por que nos desesperamos? Ele nos convida a fazer silêncio — não um silêncio parado, morno e preguiçoso, mas um silêncio atuante, como o de São José, que silenciou diante do comando de Deus, aceitou Sua vontade e obedeceu às Suas instruções. Um silêncio atuante, como o de Maria, que intercala a fala com o recolhimento e se encerra no seu Fiat: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra." (cf. Lucas 1,38), no movimento silencioso e humilde do servir.
Silenciar para confiar
Eu e você somos convidados, no silêncio deste dia, neste tempo de incerteza, a nos colocarmos com humildade na presença d’Ele, confiando que tudo ocorre para o bem daqueles que amam a Deus:
"Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam." (cf. Romanos 8,28). Unamo-nos a todos os católicos do mundo inteiro, em oração e oferta pelo nosso futuro Papa. Peçamos a graça de, no silêncio, confiar na providência de Deus em nossas vidas — seja nos grandes feitos, como uma eleição papal, seja nos pequenos movimentos do cotidiano. Aprendamos, no silêncio, a contemplar a Sua ação, que nos fala, nos conduz e também nos exorta. Quando Ele silencia — quando “cochila” — está nos ensinando a ter fé, a confiar. Ele está no barco — seja no barco da minha vida, seja na grande barca que é a Sua Igreja.
Oração
Senhor, silencia meus medos, minhas ansiedades. Peço-Te, neste dia, que os barulhos externos não me impeçam de ouvir Tua voz e de confiar que sempre estarás comigo. Dá-me a graça de confiar em Ti e aumenta a minha fé, pela intercessão da Virgem do Silêncio. Amém.
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