Pentecostes: Um divisor de histórias
A santidade é a mais alta expressão da maturidade cristã. Nossa vida no Espírito deve nos levar a esse ponto. Um caminho de conversão que leve a manter-me firme, mesmo diante das dificuldades, pessoais ou comunitárias.
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04.06.2025 - 17:00:00 | 5 minutos de leitura

Liturgicamente, já estamos vivenciando o final do Tempo Pascal, aproximando-nos de Pentecostes, que remonta aos inícios da Igreja. E pensar em Pentecostes nos remete também às origens do nosso Carisma, nascido da fonte de uma forte experiência da efusão do Espírito Santo!
Inspirados nos Atos dos Apóstolos, que temos meditado intensamente nesses dias Pascais, retomemos às origens, à fonte da experiência de Pentecostes. Pentecostes dividiu a história dos apóstolos. A força do Espírito Santo empreendeu neles uma transformação visível, e a Sagrada Escritura deixa isso muito claro. A julgar pelo questionamento de nosso pai Santo Agostinho, em seu processo de conversão, também nós deveríamos nos perguntar: se transformou tantos santos, por que também não nos transformaria?
Vejamos sinais claros desse “efeito colateral” da ação do Espírito:
1. Autoridade espiritual: Após essa profunda e arrebatadora experiência, que por sinal foi marcada por inúmeros sinais sensíveis, como o vento impetuoso, as línguas de fogo e uma alegria confundida com embriaguez — a começar por Pedro, os apóstolos perdem o medo. Já não são controlados por suas inseguranças; são guiados e conduzidos pelo Espírito. Falam de Jesus, anunciam a Palavra, confiados na força do Espírito, não em si mesmos. Eles são os mesmos, predominantemente rudes pescadores, mas o Espírito que age neles é poderoso para convencer — e mais — converter aqueles a quem anunciam a Boa Nova.
Textos para meditar: At 2,14-41; At 4,1-22; At 4,23-31
Um questionamento a partir desse primeiro ponto: Sinto em mim autoridade espiritual no meu apostolado, na minha missão? Ou me sinto preso ao medo, à timidez, à tristeza diante do contexto do mundo? Reze e peça a força do Espírito para desapegar das tuas fragilidades e elevar os olhos, com esperança, ao Espírito Santo que fez de pescadores, analfabetos e publicanos as colunas da Igreja!
2. A vida fraterna: A comunidade dos apóstolos não era nada fácil. Havia diferenças entre eles: de cultura, idade e temperamento — não diferente de nós. Essas diferenças ainda não estavam integradas. A descoberta da diferença como força ainda não lhes havia tocado o entendimento. Após Pentecostes, isso muda radicalmente. As expressões, ainda que familiares para nós, devem ser lembradas: “A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma [...] tudo entre eles era comum” (At 4,32). “Gozavam da simpatia de todo o povo” (At 2,47).
A comunhão era o sinal que os distinguia. Não sejamos iludidos em pensar que esses homens tiveram sua natureza mudada. Os movimentos humanos de temperamentos, as divergências entre Pedro e Paulo, ou entre Paulo e João Marcos, num primeiro momento, tudo isso permaneceu, mas submetido à ação do Espírito.
3. Ardor pela evangelização e manifestação dos sinais: Os discípulos foram ardorosos e incansáveis na evangelização.
Nenhum de nós está dispensado de evangelizar. Sejamos criativos, ardorosos, e deixemos transbordar o tesouro que recebemos. Não tenhamos medo do mundo — mesmo sem saber, o mundo precisa de Deus. Que o Espírito Santo dê à nossa evangelização como deu aos apóstolos uma atração irresistível. Que não falemos pautados na sabedoria humana, mas permitamos que nossa ação apostólica seja sempre nova, renovada pela ação do Espírito. Voltemos às ruas, às casas, ao microfone, aos panfletos, a impor as mãos sobre o povo. É Deus quem realiza a obra em seu povo, mas Ele não quer fazê-la sem a nossa colaboração. Não se distancie da missão e que muitos sinais se revelem: curas, milagres, conversões e também vocações possam emergir como fruto da missão.
Textos: At 3,1-10; At 5,1-11; At 5,12-16; At 13,17-42; At 14,8-18
4. Alegria na perseguição e disposição para o martírio: Não é difícil fazer memória do quão inconcebível era à esses homens a dimensão do sofrimento e morte, e por sinal, diante do que viram o próprio Jesus passar — há de se considerar justo e normal este pensamento. Isso foi mudado a partir da ação do Espírito. Essa experiência que ressignificou o sentido da cruz para a Igreja nascente. Com a mesma energia que outrora fugiram, alguns foram corajosamente ao encontro das feras. Em Atos, já vemos Estevão, por exemplo, e se repetirem as expressões por muitos deles: “Quanto a eles, saíram do recinto do Sinédrio, regozijando-se por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo Nome” (At 5,41).
Por fim, vejo nesse quarto ponto a verdadeira maturidade no seguimento de Jesus. A santidade é a mais alta expressão da maturidade cristã. Nossa vida no Espírito deve nos levar a esse ponto. Um caminho de conversão que leve a manter-me firme, mesmo diante das dificuldades, pessoais ou comunitárias.
A palavra “martírio” tem sua raiz na palavra “testemunho”. Testemunhar com fidelidade é um modo de martírio, e toda espécie de sofrimento vivido — que, para você, se configure em certa medida como um martírio!
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