Quaresma é tempo de Despojar-se
"Coisas grandiosas precisam ser preparadas com tempo!"
Formações
05.03.2025 - 12:00:00 | 3 minutos de leitura

O desejo mais profundo do coração humano é aproximar-se de Deus, encontrá-Lo e estar em comunhão com Ele. O Mistério Pascal de Cristo é o ápice desse encontro. Por isso existe a Quaresma: porque coisas grandiosas precisam ser preparadas com tempo.
Quando nos preparamos para uma festa, colocamos uma boa roupa, perfume, maquiagem, alguns adornos. Quando nos preparamos para uma viagem, enchemos as bolsas com tudo o que podemos necessitar. Na Quaresma, porém, acontece exatamente o contrário. Em vez de nos equiparmos, devemos nos esvaziar. Não nos preparamos apenas para celebrar a Páscoa, mas para vivenciá-la em profundidade, para mergulharmos no Mistério. E, para isso, devemos seguir o mesmo caminho que Jesus percorreu: Ele, que primeiro se esvaziou (Fl 2) até o extremo.
Em nossa vida consagrada, algumas práticas próprias deste tempo nos ajudam a recordar e a levar esse despojamento a todas as dimensões da nossa vida.
Podemos começar pelo despojamento material – o que é palpável costuma ser mais fácil. Abrimos nossas gavetas e armários, não apenas para tirar o que é velho ou que já não nos serve, mas, sobretudo, para nos libertarmos de apegos que, se não cuidarmos, podem nos prender como um fio invisível. Esse despojamento também nos convida a partilhar com quem precisa, tornando-nos canais da Providência e sendo parte das pequenas alegrias uns dos outros.
Há também o despojamento dos nossos impulsos, e, para isso, o jejum é um grande auxílio. Ele nos esvazia da falsa ideia de que "precisamos" saciar todas as nossas vontades, mesmo as mais naturais. Mais do que isso, o jejum nos recorda de onde vem o verdadeiro sustento da nossa vida. Quando jejuamos, nossa fome deve nos conduzir ao Senhor, para d’Ele recebermos o verdadeiro alimento. Além do jejum, outras renúncias temporárias – mesmo de coisas boas – nos ajudam a trilhar esse caminho de interioridade.
Precisamos ainda nos despojar do orgulho, do egoísmo e de tudo o que pesa nosso coração na relação com o outro. A Comunidade nos ensina um “método” maravilhoso para isso: a reconciliação. Nela, perdoamos e pedimos perdão, reconhecemos as virtudes do nosso irmão e enxergamos a obra de Deus acontecendo diante dos nossos olhos. Também desvelamos nossa própria verdade – nem sempre bela –, permitindo que a misericórdia divina nos transforme e restaure os laços da amizade fraterna.
Reconciliados com o outro, reconciliamo-nos também com Deus. Buscamos a Confissão sacramental para esvaziar-nos dos nossos pecados. Aproximemo-nos do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Reconheçamos nossas faltas para que Ele nos liberte cada vez mais do mal que há em nós.
Não existe verdadeiro encontro sem esvaziamento. Mas, ao contrário das preparações comuns, é estando com o Senhor que melhor nos preparamos para estar com Ele. Por isso, a Quaresma também é tempo de intensificarmos a oração, as vigílias e a adoração. É aos pés de Cristo que aprendemos a nos despojar para crescer na comunhão com Ele. É da Eucaristia que haurimos força para levar adiante todos os propósitos que Ele mesmo nos inspira.
Não tenhamos medo de deixar tudo pelo Único que vale mais do que tudo. Vivamos santamente esta Quaresma. Adentremos no Mistério. Experimentemos o céu dentro de nós nesta Páscoa.
Uma abençoada preparação!
Renata Sísilio - Consagrada e Celibatária Arca da Aliança
O desejo mais profundo do coração humano é aproximar-se de Deus, encontrá-Lo e estar em comunhão com Ele. O Mistério Pascal de Cristo é o ápice desse encontro. Por isso existe a Quaresma: porque coisas grandiosas precisam ser preparadas com tempo.
Quando nos preparamos para uma festa, colocamos uma boa roupa, perfume, maquiagem, alguns adornos. Quando nos preparamos para uma viagem, enchemos as bolsas com tudo o que podemos necessitar. Na Quaresma, porém, acontece exatamente o contrário. Em vez de nos equiparmos, devemos nos esvaziar. Não nos preparamos apenas para celebrar a Páscoa, mas para vivenciá-la em profundidade, para mergulharmos no Mistério. E, para isso, devemos seguir o mesmo caminho que Jesus percorreu: Ele, que primeiro se esvaziou (Fl 2) até o extremo.
Em nossa vida consagrada, algumas práticas próprias deste tempo nos ajudam a recordar e a levar esse despojamento a todas as dimensões da nossa vida.
Podemos começar pelo despojamento material – o que é palpável costuma ser mais fácil. Abrimos nossas gavetas e armários, não apenas para tirar o que é velho ou que já não nos serve, mas, sobretudo, para nos libertarmos de apegos que, se não cuidarmos, podem nos prender como um fio invisível. Esse despojamento também nos convida a partilhar com quem precisa, tornando-nos canais da Providência e sendo parte das pequenas alegrias uns dos outros.
Há também o despojamento dos nossos impulsos, e, para isso, o jejum é um grande auxílio. Ele nos esvazia da falsa ideia de que "precisamos" saciar todas as nossas vontades, mesmo as mais naturais. Mais do que isso, o jejum nos recorda de onde vem o verdadeiro sustento da nossa vida. Quando jejuamos, nossa fome deve nos conduzir ao Senhor, para d’Ele recebermos o verdadeiro alimento. Além do jejum, outras renúncias temporárias – mesmo de coisas boas – nos ajudam a trilhar esse caminho de interioridade.
Precisamos ainda nos despojar do orgulho, do egoísmo e de tudo o que pesa nosso coração na relação com o outro. A Comunidade nos ensina um “método” maravilhoso para isso: a reconciliação. Nela, perdoamos e pedimos perdão, reconhecemos as virtudes do nosso irmão e enxergamos a obra de Deus acontecendo diante dos nossos olhos. Também desvelamos nossa própria verdade – nem sempre bela –, permitindo que a misericórdia divina nos transforme e restaure os laços da amizade fraterna.
Reconciliados com o outro, reconciliamo-nos também com Deus. Buscamos a Confissão sacramental para esvaziar-nos dos nossos pecados. Aproximemo-nos do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Reconheçamos nossas faltas para que Ele nos liberte cada vez mais do mal que há em nós.
Não existe verdadeiro encontro sem esvaziamento. Mas, ao contrário das preparações comuns, é estando com o Senhor que melhor nos preparamos para estar com Ele. Por isso, a Quaresma também é tempo de intensificarmos a oração, as vigílias e a adoração. É aos pés de Cristo que aprendemos a nos despojar para crescer na comunhão com Ele. É da Eucaristia que haurimos força para levar adiante todos os propósitos que Ele mesmo nos inspira.
Não tenhamos medo de deixar tudo pelo Único que vale mais do que tudo. Vivamos santamente esta Quaresma. Adentremos no Mistério. Experimentemos o céu dentro de nós nesta Páscoa.
Uma abençoada preparação!
Renata Sísilio - Consagrada e Celibatária Arca da Aliança
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